sábado, 18 de janeiro de 2014

#47 ALLEGRO MODERATO, Concerto #4, Beethoven, Zimerman & Bernstein

imagem daqui
Concerto de 1805-1806, o Génio Romântico de Beethoven apaziguado, porém não totalmente, nunca totalmente. Zimerman e Bernstein em conjugação plena.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

#46 WASTED WORDS, The Allman Brothers Band, Gregg Allman

«Wasted Words», de Gregg Allman, aqui já o único brother sobrevivente, a dar a voz. Um prodígio de fusão country, blues e soul, e em que o todo instrumental é relevante (estou a pensar na secção rítmica), pese o destaque das guitarras. O diálogo entre a guitarra e o piano, com intromissão da bateria em fade out, consegue ser esfuziante.De Brothers And Sisters (1973). Em baixo, Gregg Allman em Los Angeles, 40 anos depois





segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

#45 HELLO DOLLY, Louis Armstrong

Armstrong de novo fora (?) do jazz, nesta gravação de 1964 (o meu ano), música que fez sua, não o sendo: ...This is Lewissss, Dolly! O não ser jazz era algo para que ele se estava nas tintas, como o estavam o Duke, o Ray e o King, que, abaixo, o acompanham, num concerto lendário no Madison Square Garden.




domingo, 12 de janeiro de 2014

#44 THAT OLD FEELING* -- Louis Armstrong & Oscar Peterson, Anita O'Day

Standard de 1937, gravado vinte anos depois, no encontro de Louie com Oscar Peterson. Satchmo só canta só como ele sabe, e não recorre à trompete; Oscar, nada torrencial, acompanha com subtileza, até dar o sinal de término, scat de Pops, dedilhar da guitarra de Herb Ellis -- e acabou.
Em baixo, Anita O'Day, também enorme, talvez a maior cantora branca de jazz.




sábado, 11 de janeiro de 2014

#43 SALVE AS FOLHAS, Maria Bethânia (com Ferreira Gullar)

imagem daqui
Um tom de litania, palavras do baiano Ildásio Tavares, música de Gerônimo, a abrir o esplêndido álbum Brasileirinho (2004), um disco que nos transporta para o mais profundo ethos brasileiro, português, índio e africano. Bethânia acompanhada pelos mineiros do Grupo Uakti; pelo meio o maranhense Ferreira Gullar (Prémio Camões) diz -- e que bem! -- um excerto dum poema do paulista Mário de Andrade, o livreto, atravessado por frases de João Guimarães Rosa. Ouvir, reouvir, muitas vezes, como uma prece. 


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

#42 JUST GONE, King Oliver's Creole Jazz Band

Uma das primeiras gravações de Louis Armstrong (Abril de 1923), acabado de chegar de Nova Orleães, chamado por Oliver, em Chicago desde 1918. Ralph J. Gleason transcreve no livreto a evocação de Satchmo: "He sent for me to play second cornet [...] Couldn't nobody get me out of New Orleans but him! I wouldn't take that chance. / I hadn't heard his band till I got back to Chicago. When I heard it at the door I said 'I ain't good enough for this  band, I think I'll go back...'"
Da autoria de Oliver e Bill Johnson, é desopilante e (minutos 1'-1'40") irresistível.

King Oliver (corneta, líder), Louis Armstrong (corneta), Honore Dutrey (trombone), Johnny Dodds (clarinete), Lil Hardin-Armstrong (piano), Bill Johnson (banjo) e Baby Dodds (percussão).

domingo, 5 de janeiro de 2014

#41 ADAGIO SOSTENUTO. PRESTO*, Peter kuhar & Ivan Fercic

...da Sonata #9 (a Kreutzer), de Beethoven.
Se eu tivesse de escolher um único compositor para a ilha deserta, seria este -- o que mais me comove, o que mais admiro, tão tenso (veja-se como Peter Kuhar aborda o violino), tão patética, sublime e terrivelmente humano.
O 1.º andamento é uma das muitas obras-primas que este milagre de humanidade nos legou.
Peter Kuhar (violino) e Ivan Fercic (piano).


sábado, 21 de dezembro de 2013

#40 SENHOR ARCANJO -- José Afonso, Júlio Pereira

De novo de Cantigas do Maio (1971), de novo o génio do grande músico de Aveiro e o talento de José Mário Branco. Esplêndido também o acompanhamento da guitarra de Carlos Correia (Bóris).Em baixo, Júlio Pereira com Sofia Vitória, em 2008, no Porto (Casa da Música).




terça-feira, 17 de dezembro de 2013

#39 RIO LARGO DE PROFUNDIS -- José Afonso

De Venham Mais Cinco (1973). Ao génio de José Afonso junta-se o extremo savoir-faire e a ironia de José Mário Branco, na direcção musical deste disco gravado em Paris, confirmada logo nesta faixa inicial, uma espécie de «Grândola Vila Morena» ao contrário. E uma referência devida a Yório Gonçalves, na guitarra.




domingo, 15 de dezembro de 2013

#38 NO SURPRIZE -- Aerosmith

De Steven Tyler e Joe Perry. Quando os Aerosmith eram interessantes. Abertura de Night In The Ruts (1979), balanço stoniano com reforço hard rock. A voz de Tyler não perdeu ainda o timbre dos primeiros discos, e a articulação é excelente ; as duas guitarras, Perry e Brad Whitford, muito bem entrosadas; briosa a secção rítmica (Tom Hamilton e Joey Kramer). O disco é, aliás, todo bom, e um dos meus preferidos da banda.

domingo, 8 de dezembro de 2013

#37 - AHMAD'S BLUES* -- Ahmad Jamal

Gravado no Spotlight Club, em Washington D.C., a 6 de Setembro de 1958. As palmas e o barulho de copos e pires entrechocando-se, não nos prepara para o que vem aí: primeiros acordes de contrabaixo (Israel Crosby), piano (Ahmad Jamal) e as vassouras de Vernel Fournier; passam 25 segundos e a mão direita de Jamal ganha vida própria. Um dedilhar concentrado até ao balanço cúmplice dos três instrumentos, que se acompanham, soltando-se Crosby, Fournier e Jamal dialogando de vez em quando com maior assertividade. O solo de Jamal, entre 1'28'' e 1'46'' estonteia e termina como um espasmo. Ouvimos a voz de Ahmad, quando em seguida fustiga as teclas, yes!, recolhendo logo o ímpeto, para a conversa continuar, um pouco mais agitada. O público já aqueceu, vamos ao resto...

domingo, 1 de dezembro de 2013

#36 MOVE* -- Miles Davis

Um lençol sonoro de 6 sopros 6: Miles Davis, trompete; Kai Winding, trombone; Junior Collins, trompa; John Barber, tuba; Lee Konitz, sax alto; e Gerry Mulligan, sax barítono. O noneto é completado com a secção rítmica: Al Haig, piano; Joe Shulman, contrabaixo; Max Roach, bateria. Acolhedores, os graves da tuba e do barítono, mas um break da bateria lembra-nos que a pacificação é ilusória. Solam Miles e Konitz (uma alegria, o seu fraseado), e depois todos os metais, com Max Roach a pôr pontos nos is.
Move  foi composto pelo baterista Denzil [DaCosta] Best, e abre Birth Of The Cool (1957) (o alinhamento do cd difere do do lp...)

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

#35 ST. LOUIS BLUES - Louis Armstrong

Louis Armstrong & His All Stars (& Velma Middleton). 
Standard absoluto de W. C. Handy, reconhece-se à partida o inconfundível pulmão de Satchmo. 
O acompanhamento inicial, clarinete, trombone, piano, suave, a realçar ainda mais a trompete, que entra, aos 1'21'' numa cadência caribenha (matéria para quem saiba de música e etnomusicologia...)
Segue-se o embalo para preparar a voz quentíssima de Velma Middleton. O diálogo entre Velma e Louie, primeiro voz e trompete, depois voz e voz, é extraordinário. O solo de Bigard, por volta dos cinco minutos, acompanha o início da disputa entre o casal, quando a conversa degenera, entra veemente, aos 7 minutos, o trombone de Trummy Young. No final, parte-se a loiça toda, trompete e trombone polemizam, o piano de Billy Kyle parece entornar as teclas, como se num desenho animado americano da época de ouro. Um break de Barrett Deems parece acabar com a conversa.



Faixa #1 de Louis Armstrong Plays W. C. Handy (1954). L. A., trompete e voz; Trummy Young, trombone; Barney Bigard, clarinete; Arvell Shaw, contrabaixo; Barrett deems, bateria; Velma middleton, voz. LP CBS. 

[actualizo (ando um bocado à nora com este blogue...) para postar uma actuação em Itália, 1959]




segunda-feira, 22 de julho de 2013

#34 LOVE ON THE LINE* -- Barclay James Harvest

Uma boa entrada, entrada grandiosa (suponho que a isto se chame "rock sinfónico", enfim...), baixo de Holroyd bem sincopado, bateria de Pritchard, a seguir. O Holroyd é um insuportável pomadoso, mas, mesmo assim, a letra safa-se, tal como a guitarra de Lees, este também em apoio vocal ao primeiro.
Apesar de tudo, gosto -- gosto a que não será alheio o impacto que teve, nos meus 15 anos, esta entrada triunfal no velho pavilhão do Dramático de Cascais, na digressão que promovia o disco.
Em baixo, uma competente prestação ao vivo, suponho que na kitsch Alemanha, onde os BJH foram sempre mais populares do que em casa. Mesmo assim, não tão boa como a que assisti em Cascais.
Faixa 1 de Eyes Of The Universe (1979). Tema de Les Holroyd. John Lees, voz, guitarra e teclas; Les Holroyd, voz, baixo e teclas; Mel Pritchard, bateria (e teclas?).



sábado, 8 de junho de 2013

#33 - HELP! *-- The Beatles, Deep Purple

Quando, na minha infância inocente, ouvia este brado lancinante do John Lennon, devia ter a vaga ideia de que se tratava de algo sério, mas logo o incrível arranjo vocal do George Martin, e o beat !, me transportavam para outras galáxias, que eu nem sequer supunha existirem.
Do álbum homónimo (1965), faixa 1.
Em baixo, ao vivo (BBC?...) e mais abaixo, cover dos Deep Purple...





terça-feira, 7 de maio de 2013

#32 - SUNDAY -- David Bowie

Heathen (2002), o negrume do aftermath do 11 de Setembro, de que «Sunday», litania de abertura, é o rescaldo, o day after (o ataque foi perpetrado num sábado), uma prece que suplica por protecção e amparo. Um óptimo disco, com produção excelsa do próprio D.B., com o experimentado Tony Visconti.
Em baixo, ao vivo em Paris, nesse mesmo ano.



domingo, 28 de abril de 2013

31 -- SUBÚRBIO -- Chico Buarque

O olhar atento de Chico Buarque, sempre para além da superfície e à margem do bonitinho; «choro-canção» com uma lírica fantástica que faz jus a quem sempre cultivou com mestria -- essa língua «que abusa / De ser tão maravilhosa». Faixa inicial de Carioca (2006). L. C. Ramos, violão; Jorge Helder, baixo acústico; Celso Silva, pandeiro; Cristóvão Bastos, piano acústico; Paulo Sérgio Santos, clarinete; Marcelo Bernardes, flauta; Hugo Pilger, violoncelo. Em baixo: gravações do CD e do DVD.








quarta-feira, 24 de abril de 2013

#30 -- SKYLINER -- Charlie Barnett

Música para levantar o moral das tropas norte-americana estacionadas na Europa, no pós-guerra, via rádio. De e por Charlie Barnett, regente e saxes soprano e tenor.



domingo, 7 de abril de 2013

#29 - QUELQU'UN MA DIT -- Carla Bruni

A voz cálida e envolvente de Carla Gilberta, alguém que eu desconhecia, mesmo como modelo, uma revelação absoluta e o prazer de ouvir cantar em francês. Levado por «Quelqu'un ma dit», que refrescava a rádio, fui à descoberta do álbum, com o mesmo título (2002). Magnífico disco, todas as faixas boas, várias de altíssimo nível.
Música: Carla Bruni; letra: C.B. e Leos Carax; Louis Bertignac, guitarras e piano; Léna Fablet, violeta; Roselyne Macario, voz; Vincent Catulescu, violoncelo; Laurent Vernerey, contrabaixo; Steve Shehan, precussão.






segunda-feira, 1 de abril de 2013

#28 - Planet Claire -- The B-52's

Um rápido crescendo da secção rítmica, apitos espaciais e sintetizadores a que se juntam as vozes femininas, a vocalização de Schneider em diálogo com a guitarra. Abria-se o óptimo álbum de estreia (1979) dos B-52's. Fred Schneider (voz e percussão) Kate Pierson e Cindy Wilson (vozes e teclas), Ricky Wilson (guitarras) e Keith Strickland (bateria).  Em baixo, ao vivo, em 1983, com o formidável desopilanço dos metais.