domingo, 22 de março de 2015

#194 - AS LONG AS THE PRICE IS RIGHT, Dr. Feelgood

Uma das minhas bandas preferidas, a primeira que vi ao vivo, no Dramático de Cascais, em 1979. Oriundos do Essex, tocavam os blues com um arreganho punk. Já está no outro mundo o seu primeiro vocalista, o grande Lee Brilleux, tal como o guitarrista que estamos a ouvir na gravação original, Gypie Mayo, outro músico de mão cheia.

Jukebox: «Puta»


Jukebox: «The Highways Of My Life»


quarta-feira, 18 de março de 2015

Jukebox: «I've Never Been In Love Before»




Jukebox: «And It Stoned Me»


#192 - LOVE HER MADLY, The Doors

Música e letra de Robbie Krieger (o terceiro a contar da esquerda), a propósito dele e da namorada, que devia ser qualquer coisa... (Dá ideia que sim, pela forma como Morrison canta  Yeaaahh, don't you loove heeer?...) Mixed feelings & grande balanço.
Em baixo, vale por vermos Krieger e Manzarek a tocar; já nem tanto pelo boneco articulado madame tussaud. É penoso e era escusado.

segunda-feira, 9 de março de 2015

#190 - APANHEI-TE, CAVAQUINHO (Ernesto Nazareth), Arthur Moreira Lima

Ernesto Nazareth (Rio de Janeiro, 1863-1934), foi um compositor autodidacta, livre, portanto, para pegar na música de salão europeia e dar-lhe um colorido brasileiro, como claramente se ouve nesta polca tocada por Arthur Moreira Lima. Aqui há trópico.

domingo, 8 de março de 2015

sábado, 7 de março de 2015

#188 - ALL BLUES, Miles Davis

Considerado por muitos o maior álbum de jazz de sempre (o que quer isto signifique), Kind Of Blue (1959) reúne um naipe de assombro: além do próprio Miles (trompete), Cannonball Adderley (sax alto, segundo solo), John Coltrane (sax tenor, o terceiro a solar) e uma secção rítmica do outro mundo: Bill Evans (piano, quarto solo), Paul Chambers (contrabaixo) e Jimmy Cobb (bateria), impressionante nos 11'33'' -- o único sobrevivente desta gravação e que eu tive a sorte de ver tocar, no Estoril, há alguns anos.
Em baixo, Miles Davis superstar aos 65 anos, em França, em 1991, ano que foi também o da sua morte. Pontificam Chick Corea (piano) e Dave Holland (contrabaixo), mas atenção também aqui ao trabalho do baterista, Al Foster, forçosamente diferente do de Cobb. Aliás, não se pode comparar a filigrana sonora permitida pelo conforto do estúdio com o resultado dum concerto ao ar livre para milhares de pessoas. O melhor é ouvir os dois.

quinta-feira, 5 de março de 2015

#187 - BROTHERS IN ARMS*, Dire Straits

O álbum até é mauzote, mas a música que lhe dá o título, e o encerra, vale por todas. Composta por ocasião da Guerra das Falkland / Malvinas, reflecte sobre a maldade absoluta dos conflitos armados. (Quanto a mim, estando de acordo, não deixo de sublinhar que pode haver, e há, guerras justas, mas isso não é para aqui chamado, agora). Knopfler, talvez o grande guitar hero da sua geração, tornou lancinante a guitarra, como só o medo e a morte.
Em baixo, por ocasião do 70º aniversário de Nelson Mandela, então preso havia 24 anos, um nobilíssimo ser humano que quando foi preciso, quando foi forçado, pegou em armas para travar o bom combate. Clapton aparece no fim. O momento é belo, solene e comovente.

quarta-feira, 4 de março de 2015

#186 - ALABAMA SONG (WHISKY BAR)*, The Doors

Directamente duma ópereta do Brecht e Weill para o primeiro álbum dos Doors, sem passar por nenhum bordel ou café-concerto, mas o desconjunto mantêm-se. Adoro, nem perguntem porquê.
Em baixo, versão encurtada, ao vivo no Hollywood Bowl.

segunda-feira, 2 de março de 2015

#185 - HORSE LATITUDES, The Doors

O terror na infância vem de onde menos se espera, dos sítios mais anódinos, e raramente os pais se apercebem. Umas vezes o trauma transfigura-se em arte; noutras não.

domingo, 1 de março de 2015

#184 - CHATTANOOGA CHOO CHOO, Glenn Miller Orchestra

Sobre comboios e música, da popular à erudita, muito haveria que contar, por pena bem informada. Quanto a mim, deixo este excerto de Sun Valley Serenade (1941), para o qual a música foi concebida, e registo o diálogo dos metais, as apóstrofes das madeiras, o esplêndido swing da secção rítmica, os arranjos vocais para os Modernaires e Tex Beneke, e o sapateado...

#183 - L'APPRENTI SORCIER (Paul Dukas), Mata / Jurovsky / Stokowski

Um soberbo divertimento  do francês Paul Dukas, datado de 1897 -- e que moderno ele continua... --, a partir de Goethe.
Primeiro, o meu disco: Eduardo Mata com a Orquestra Sinfónica de Dallas; depois a gravação ao vivo da Orquestra Sinfónica de Moscovo -- Filarmónica Russa, dirigida por Mikhail Jurovsky; finalmente, Mickey, pois então!, que o globalizou pela imaginação de Disney, sendo que o rato é dirigido por Leopold Stokowski para Fantasia (1940), nesta célebre curta de animação realizada por James Algar.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

#182 - FANFARE FOR THE COMMON MAN (Aaron Copland), Eugene Ormandy / James Levine

Composta em 1942, esta peça orquestral funciona como um ímpeto patriótico na chamada às armas do soldado americano contra as potências do Eixo. 
O primeiro registo, Eugene Ormandy com a Orquestra de Filadélfia, de 1963, é um dos que possuo; em baixo, James Levine com a Filarmónica de Nova Iorque.

#181 - LES BOYS, Dire Straits

Pode ser uma paródia a certo tipo de comunidades gay, mas nada que se deva levar muito a sério. (Hoje em dia, com a ditadura do politicamente correcto, duvido que ela viesse a lume.) A velha Munique com toada mediterrânica. Não sei se Genet será referido em mais alguma música rock...
O vídeo em baixo tem a particularidade de ser anterior a Making Movies (1980), o álbum que prefiro dos DS, e apresentar ainda David Knopfler, que entretanto abandonará o grupo, não participando já nessa gravação.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

#180 - A BARCA DOS AMANTES*, Sérgio Godinho

Música de Milton Nascimento, letra de SG e arranjo de Luís Caldeira, uma perfeição.

#179 - DO ANYTHING YOU WANNA DO*, Eddie And The Hot Rods

Produzido pelo excepcional Steve Lillywhite, esta foi, para mim, a passagem perfeita do prog rock para o punk rock. A música esticava-se, não terminava logo, deixando-nos insaciados. E depois tinha aquelas palavras directas de que andávamos todos a precisar, e era cantado com gana, mais duas guitarras em sobressalto, o baixo inquieto, a bateria rebarbativa. Lembro-me de pelos fins do anos 70 subir a Rua Direita, em Cascais, e ver o cartazes que reproduziam a imagem deste álbum, anunciando um concerto no Pavilhão do Dramático. Não fui vê-los, porra.
Em baixo, em Essen, há uns meses. Estão velhos, mas parecem contentes.
Nota: Como pode ler-se na caixa de comentários, fiz confusão com o local dos concertos. Mais um bocadinho e já passaram 40 anos. Porra...

domingo, 22 de fevereiro de 2015

#178 - BLOWIN' IN THE WIND, Bob Dylan

fonte
Editada há 52 anos, é daquelas músicas que interpelam as pessoas enquanto houver injustiça e opressão, enquanto o mal, nada metafísico mas bem palpável, persistir entre os homens, enquanto houver quem se arrogue a prerrogativa de pisar quem não tem força para se rebelar. Música para a História, portanto, para a História do Futuro.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

#176 - AFRICAN CHILDREN, Aswad

Britânicos e/ou jamaicanos, sempre com um olho em África. Um som muito próximo dos Wailers, pelo qual os membros dos Aswad passaram.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

#175 - BOOGIE CHILLEN, John Lee Hooker

Operário numa fábrica de Detroit durante o dia, músico à noite. Hooker foi dos primeiros a electrificar a guitarra nos blues. Esta é uma história de vida, da sua vida quando garoto, que após os cânticos na igreja local, pegava na guitarra e ia animar as festas e os bailes. Parece que a mãe não aprovava.

#174 - AMAZING, Aerosmith

Nem pelo espanto redentor de estar vivo ou pela alegria da libertação do jugo dos estupefacientes; não foi por isso que resolvi postar esta musiquinha banal, antes pelo solo da guitarra de Joe Perry, no fim. Aliás, o final é todo um programa musical, e de rádio. É tão bom, que tinha de vir parar aqui.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

#173 - 25 MINUTES TO GO, Johnny Cash

Digamos que é Cash sob o signo da paródia, não apenas pelo humor negro da canção, como pela circunstância de esta alegada balada do verdadeiro oeste ter sido escrita e publicada em 1962 (três anos antes desta versão), pelo multitalentoso Shel Silverstein.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

#172 - DOWN TO THE WATERLINE, Dire Straits

Um professor de inglês e ex-jornalista que devém improvável guitar hero. A guitarra e a técnica de Mark Knopfler, o som retro como sonoridade de marca, uma voz castigada, entre Dylan e J. J. Cale, uma cantiguinha sobre amores juvenis furtivos que abria o primeiro álbum dos Dire Straits (1978).
Em baixo, em Colónia, no ano seguinte.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

#171 - ALL IN ALL (THIS ONE LAST WILD WALTZ)*, Kevin Rowland and Dexys Midnight Runners

Não sei se o Kevin Rowland já explicou o que queria dizer com esta letra, incluindo o último verso erm gaélico ou coisa que o valha, mas deve ser sério; porém, como na música o que me interessa, em 90% dos casos, é mesmo a música, direi que esta é uma das minhas valsas, perfeita do canto de Rowland ao solo de Helen O'Hara, da secção rítmica aos coros. Em baixo, no ano da gravação, 1982, que deve ter sido quando os vi na Festa do Avante!, no Alto da Ajuda. (Agora encurtaram o nome para Dexys.)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

#170 - AQUARELA DO BRASIL,João Gilberto, Caetano Veloso & Gilberto Gil

Tema inescapável de Ary Barroso, envolvendo certa concepção turística de Brasil (um pouco como o nosso «Abril em Portugal»), reinterpretada por João Gilberto, em 1981. Ler análise excelente aqui.  Em baixo, J.G. ao vivo na Globo, no ano seguinte.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

#169 - FANTASY, Earth, Wind & Fire

O soul na sua forma mais espectaculosa, entre o funk e, perigosamente, o disco. É indubitavelmente uma manifestação da alma afroamericana.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

#168 - AFTER YOU'VE GONE, Benny Goodman / Buddy DeFranco

Velho standard (1918), tocado e gravado por quase toda a gente. Benny Goodman registou-o várias vezes. Este é de 1945. Goodman ao clarinete, Red Norvo no vibrafone e Teddy Wilson swingam desenfreadamente; e oiça-se o solo de contrabaixo com arco de Slam Stewart em diálogo com o clarinete, e a finalizar em êxtase, Goodman, Norvo e Wilson. É a loucura.
Em baixo, numa homenagem ao mesmo Goodman, em 1991, o excelente Buddy DeFranco (falecido na véspera do último Natal), numa fantástica formação. Vale a pena estar atento à guitarra do veteraníssimo Herb Ellis.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

#167 - CHANGES*, Black Sabbath / Ozzy Osbourne

A balada célebre do sensacional Vol. IV (1972 -- também me criei a ouvi-lo). Música do guitarrista Tonny Iommi (aqui ao piano e no mellotron, instrumento prog por excelência) e letra de Geezer Butler (o baixo, e também no mellotron). Piano em posição fetal, mellotron inconsolável. Osbourne, em baixo, a cantá-la.

#166 - AQUELE ABRAÇO, Gilberto Gil

O grande Gil em 1969 [eu até oiço aqui ecos de Abbey Road, e vice-versa...], despedindo-se a caminho do exílio, e fazendo um manguito aos militares da ditadura brasileira.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

#165 - AND THE SUN WILL SHINE, Bee Gees

Do álbum de 1968 dos irmãos Gibb, Horizontal, música bem carpinteirada. Em baixo, seis anos depois, em Melbourne, magnificamente cantada por Robin Gibb, como sucedera já na gravação original.