domingo, 3 de agosto de 2014

#96 - L'AMOUR LOOKS SOMETHING LIKE YOU, Kate Bush / Quintana Ensemble / Jongleurz

Do álbum de estreia, The Kick Inside (1978), cheio de músicos da cena prog e transbordante de aplomb, como este L'Amour... demonstra.
Junto uma versão do Quintana Ensemble -- precedida duma composição do compositor barroco morávio Gottfried Finger -- com a belíssima voz da harpista checa Katerina Ghannuda e uma interessantíssima versão dum harpista italiano, que, no YouTube, se identifica como Jongleurz.


domingo, 20 de julho de 2014

#95 - ASHES TO ASHES*, David Bowie



Uma das músicas da minha vida. Aos 16 anos já tinha suficientemente melancolia em mim para me deixar subjugar por esta toada triste, que os últimos acordes da guitarra-sintetizada acentuam.
Em cima, Bowie ao vivo na BBC, creio que em 2000; em baixo o clip original.



sábado, 19 de julho de 2014

#94 DRIVE MY CAR, The Beatles / Paul McCartney

Um McCartney típico, bem construído e esgalhado, cheio de alma e graça, tudo no seu lugar, a linha do baixo, o fraseado da guitarra, o beat da bateria, as vozes desesperadamente roufenhas. E é divertido. Abre Rubber Soul (1965), um dos meus álbuns preferidos.


Em baixo, Macca num filme recente.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

#93 - AND YOUR BIRD CAN SING, The Beatles / Wilco

É magnífico o trabalho das guitarras (Harrison e McCartney), lembra-me os Byrds; e também as vozes. O autor é Lennon, que canta.
Em baixo, os Wilco, em 2013.

domingo, 13 de julho de 2014

#92 ADAGIO UN POCO MOSSO (Concerto para piano # 2, de Beethoven), Leon Fleisher & George Szell / Claudio Arrau & Colin Davies

O segundo andamento do Concerto para piano #5 de Beethoven, «Imperador», louvor ainda da figura de Napoleão Bonaparte (como a Sinfonia #3), dedicatário fortemente renegado pelo compositor, quando o mito de libertador dos povos europeus, sob o lema da Revolução Francesa -- Liberdade, Igualdade, Fraternidade -- se revela um carrasco desses mesmos povos. É célebre a imagem da dedicatória furiosamente rasurada, o papel da partitura rasgado pelo furioso Ludwig, enquanto ouvia o troar dos canhões napoléonicos às portas de Viena.
Quanto à música, propriamente, o diálogo apaixonante entre o piano e a orquestra é duma beleza extraordinária.
A minha interpretação é a de Fleisher / Szell; ao vivo, escolho a magnificência de Arrau / Davies.

sábado, 12 de julho de 2014

#91 - EU VI ESTE POVO A LUTAR (CONFEDERAÇÃO), José Mário Branco / J.M.B., Sérgio Godinho & Fausto

Passo por cima de alguns lugares-comuns da letra, e também de alguma verdades, para realçar o ímpeto de vaga popular que tem esta música e a intenção que lhe está associada -- por muito infirmada que já então era pela tal História que pensavam levar na mão; e pela sobeja razão de ser que ainda hoje lhe assiste, para nossos males. Enfim, mixed feelings, tragédias várias.
O início é soberbo: Júlio Pereira, na guitarra portuguesa; Pedro Wallenstein, no baixo; Zé da Cadela, à tarola; e J.M.B. nas restantes percussões; em seguida, o soprano de Rui Cardoso em tensão insurreccional. 
Em baixo, 3 canto(re)s.


domingo, 29 de junho de 2014

#90 - ALWAYS CRASHING IN THE SAME CAR, David Bowie

Gosto muito do canto, dos samples  de violoncelo e  do arranjo das guitarras e dos sintetizadores (Brian Eno). De Low (1977).

Em baixo, uma óptima versão ao vivo, não faço ideia onde.







#89 - ALL YOU NEED IS LOVE, The Beatles



25 de Junho de 1967, a partir dos estúdios de Abbey Road, os Beatles participam na primeira transmissão internacional de televisão via satélite. A música, de Lennon, é uma encomenda  da BBC que pretendia veiculasse uma mensagem universal. Em tempo do flower power e da Guerra do Vietname, não havia como escapar ao Amor. E bem. Nos coros participaram Mick Jagger (bem focado), Keith Richards, Marianne Faithfull, Eric Clapton, Keith Moon e Graham Nash, entre outros. Citações, pelo menos três: A Marselhesa, In The mood  e She Loves You.






domingo, 22 de junho de 2014

sábado, 21 de junho de 2014

#87 - ACROSS THE UNIVERSE, The Beatles / Rufus Wainwright, Moby & Sean Lennon

Altíssimo momento de Lennon, da guitarra ao canto e à lírica. O coro e as cordas tornam-no ainda mais etéreo.

Em baixo, num sítio qualquer, é comovente ver um outro Lennon a tocar as mesmas notas do pai.





sábado, 14 de junho de 2014

#86 - ALADDIN SANE, David Bowie

O título, Aladdin Sane, "a lad insane", toda a música, do riff ao refrão, é estupenda. O início, cada interveniente como que se estuda, até o baixo e guitarra acompanhando-se e dando suporte ao "Whoooo, will love Aladdin sane?" O solo do piano de Mike Garson, jazzístico e vanguardista (com o sax de Ken Fordham intrometendo-se) dá o plus que desde sempre a mantém nos nossos ouvidos.
Em baixo, em 1996, com o mesmo Garson ao piano, e a indispensável Gail Ann Dorsey no baixo e apoio vocal.

sábado, 7 de junho de 2014

#85 - AND I LOVE HER, The Beatles

Balada característica da primeira metade da década de 1960. McCartney é o autor, percebe-se; e o riff, segundo este revelou, é de Harrison -- também.



#84 - DECLARE INDEPENDENCE, Björk

Björk, política, grita pelos povos oprimidos. Está muito bem, por mim (lindas legendas gregas). Também gosto de ouvi-la a partir dum ponto de vista mais individual, libertário.
Em baixo, uma islandesa em país francófono.

domingo, 1 de junho de 2014

#83 - BECAUSE, The Beatles / Natas Loves You

George Martin, o produtor (e 5.º Beatle) no cravo eléctrico, e um estupendo arranjo vocal. E sintetizadores (Harrison). No maravilhoso e inolvidável e sobre todos icónico Abbey Road (1969).
Em baixo, cover da banda luxemburguesa Natas Loves You.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

#82 - ELEGIA. ANDANTE, NON TROPPO* (Béla Bartók), Eugene Ormandy / Jesús Amigo

II andamento do Concerto para Orquestra (1943) de Béla Bartók. Eugene Ormandy com a Orquestra de Filadélfia (1964). Para o fim dos tempos.
Em baixo:
A Orquesta de Extremadura, dirigida por Jesús Amigo 
(a captação de imagem é miseranda)



segunda-feira, 26 de maio de 2014

#81 BACK TO MEMPHIS, Chuck Berry / The Band

Do álbum de 1967, cheio de bons músicos de estúdio: ouçamos a secção rítmica, piano, bateria e baixo -- do melhor. Felizmente há a net para lhe sabermos os nomes, porque o lp é omisso. No fade-out, a guitarra de Chuck -- um dos pais do rock e uma lenda viva -- em canto de cisne.
Em baixo, cover dos The Band.


domingo, 25 de maio de 2014

#80 - ADEUS Ó SERRA DA LAPA, José Afonso / Tim, Vitorino & Celeste Rodrigues

Canção de partida, nesse ano de 1973 -- o mesmo em que Assis Esperança publicou o romance Fronteiras -- ano ainda de emigração, do êxodo da miséria. O tema é lindíssimo, com um soberbo arranjo de metais. Do álbum Venham Mais Cinco.
Em baixo, uma versão esplêndida de Tim, com Vitorino e Celeste Rodrigues (esqueçam a captação rudimentar com tecnologia de ponta).






segunda-feira, 12 de maio de 2014

#79 - O CABRAL FUGIU PARA ESPANHA, José Afonso / Vitorino & Luis Pastor

Da peça de "A Barraca", Zé do Telhado. Grande álbum de José Afonso (Fura Fura, 1979), cuja primeira parte é composta por temas destinados àquele espectáculo de Hélder Costa. A fala inicial de Margarida Carpinteiro situa a acção no período da Maria da Fonte e da Patuleia, da guerra civil entre constitucionalistas moderados e radicais, aludindo ao exílio forçado do polémico ministro de D. Maria II, o controverso António Bernardo Costa Cabral. A música é de José Afonso e a letra popular. Artur Costa, João Gil e Luís Represas, dos Trovante, juntam-se a Júlio Pereira, Né Ladeiras e Carlos Salomé. Os arranjos são também dos Trovante. Carlos Salomé que vemos acompanhando, nas trancanholas, o seu irmão Vitorino e Luis Pastor, na TVG (Galiza).




sexta-feira, 9 de maio de 2014

# 78 - EI! WIE SCHEMKT DER COFFEE SÜßE (Bach), Christine Schäfer, Stuttgart Bach-Collegium / Helmuth Rilling, Robin Johannsen



Nem tudo é religião, em Bach, mas tudo pode ser divino -- inclusivamente as cantatas profanas, de que a bem humorada Cantata do Café é exemplo. Nesta ária, um pai preocupado assiste ao desvario com que a filha se deixa impregnar por esta excitante e viciante bebida, cada vez menos exótica no século XVIII.
A minha gravação é a de Helmuth Rilling com o Stuttgart Bach-Collegium, aqui com Christine Schafer. Em baixo, outra soprano: Robin Johannsen

sábado, 3 de maio de 2014

#77 - ATLANTA BLUES (MAKE ME A PALLET ON YOUR FLOOR), Louis Armstrong, Bria Skonberg

Versão de W. C. Handy de um standard de autoria desconhecida, remontando ao século XIX. Satchmo dialoga consigo mesmo, trompete e scat, todos solam. Arvell Shaw, no contrabaixo -- anota George Avakian no texto de contracapa --, brinca com Pops, que não era propriamente um fã de Charlie Parker, citando Ornithology...
Em baixo, a canadiana Bria Skonberg, excelente.



#76 - BERLIN, Barclay James Harvest

Tudo muito nos eixos, letra suficientemente imprecisa para não chocar os mais desafectos às questões políticas (a queda do Muro ainda vinha longe), a verdade é que gosto  desta música muito melodiosa, cantada no tom certo por John Lees, e com uma sobriedade instrumental que funciona.
Em baixo, gravação feita em Bona, 2002, exemplo eloquente de como se pode estragar uma coisa boa, tornada enfadonha pelo próprio autor, Les Holroyd (e sem outro membro da formação original que gravou XII , em 1978).



sábado, 26 de abril de 2014

#75 - BLUES IN THE NIGHT (MY MAMMA DONE TOL' ME), Louis Armstrong & Oscar Peterson, Katie Melua

De Harold Arlen & Johnny Mercer, para o Great American Songbook. Grande versão de Armstrong, como de costume, acompanhado por um quarteto que lhe faz jus: Peterson (como ele pontua o canto de Satchmo, e o solo em trompete!), Herb Ellis (guitarra), Ray Brown (contrabaixo) e Louis Bellson (bateria). 
Em baixo, a extraordinária Katie Melua, com a letra original (é um lamento feminino), em Basileia, em 2007.




sexta-feira, 25 de abril de 2014

#74 - BOMBONS DE TODOS OS DIAS, João Afonso

Um inédito primoroso de José Afonso. Não encontrei no YouTube, mas, em contrapartida, posto a primeira versão de um disco anterior, Outra Vida (2006). "Estão livres de perigo os homens fáceis"...

quinta-feira, 3 de abril de 2014

#73 THE OLD COUNTRY, Nat Adderley, Sara Mitra

A exuberância da Big Sax Section, solada por Yusef Lateef (primeiro na flauta, depois o tenor), Nat na corneta, e as teclas de Winton Kelly; segue-se diálogo a três, terminando com o quente dos metais.
Em baixo, Sara Mitra ao vivo. A música é de Nat Adderley, a letra é de Nancy Wilson.



terça-feira, 1 de abril de 2014

#72 - LÁ NO XEPANGARA, João Afonso & João Lucas, José Afonso

A tragédia do colonialismo, segundo José Afonso. Tragédia em ritmo de trópico, como o sublinha o exuberante piano de João Lucas e as vocalizações de Afonso sobrinho.
Em baixo, o original afonsino de O Coro dos Tribunais (1975).




segunda-feira, 31 de março de 2014

#71 - GRANADA (de Albéniz), Aitana de Jong Mompó

Como se Boabdil, o último Abencerragem, aguardasse os exércitos dos Reis Católicos, antevendo o exílio no outro lado do Estreito.
(Ou então, e porque não?: uma ponte entre Chopin e Satie).
No Youtube não encontrei a gravação de Esteban Sánchez. Em baixo, um registo de Aitana de Jong Mompó.

domingo, 30 de março de 2014

quarta-feira, 26 de março de 2014

#69 WINTER, Tori Amos

Um tom quase elegíaco. T.A. contida, a orquestra, dirigida por Nick DeCaro, acentua o pathos, com a gravidade do inverno na alma.
Em baixo, em Montreux, em 1991 ou 92.



segunda-feira, 17 de março de 2014

#68 WALK ALL OVER YOU, AC/DC

O riff solitário, reconhecível à distância, à medida que entram baixo e segunda guitarra, postos em suspenso pela bateria. Abre-se um diálogo entre as guitarras dos irmãos Young, e surge Scott, avinhado e obsceno, a cantar como nunca mais. Pouco antes do fim, um solo memorável de Young, terminando tudo em Bon.
Em baixo, um descarado playback, que só aqui fica porque sim.




domingo, 16 de março de 2014

#67 CANTIGA DO MONTE

Um belíssimo poema de José Afonso, também autor da música (em Traz Outro Amigo Também, 1970), magnificados por João Afonso e João Lucas. A voz do sobrinho é mais grave que a do tio; o piano aquece-nos e afoga-nos. É sublime.







sábado, 15 de março de 2014

#66 ONE FOR DADDY-O, Cannonball Adderley, Royce Murray

A entrada inspiradíssima do piano de Hank Jones, trompete e sax alto a par até ao arranque a plenos pulmões de Julian Adderley; depois, Miles Davis, cheio de coolness; o balanço contínuo da secção rítmica. Terceiro solo, o piano a desenvolver o fraseado inicial. Imparáveis, novos solos de Julian, Miles e Hank, para terminar com os riffs com que os sopros abriram, Miles perguntando a Alfred Lion, o produtor: "Era isto que querias, Alfred?..." O tema é de Nat Adderley.
Em baixo, o quarteto de Royce Murray.




quarta-feira, 12 de março de 2014

#65 GIRL, Tori Amos

A Tori Amos canta(-se) muito bem. A produção, sua e de Eric Rosse é excelente: os samples de cordas (o final podia ser dum quarteto de Dvořák...), o tratamento das vozes...


domingo, 9 de março de 2014

#64 JÁ O TEMPO SE HABITUA - João Afonso & João Lucas, José Afonso

A interpretação de João Afonso, altíssima, ao nível da lírica de José Afonso, seu tio, uma angústia de inevitabilidade e solidão. João Lucas, a quem pertence o arranjo, exímio (o solo é maravilhoso), dá ossatura a este tema superlativo.
Em baixo, o original, de Cantos Velhos, Rumo Novo (1969).






#63 ASTURIAS (LEYENDA) (Albéniz) - Esteban Sánchez, Boris Berezovsky

Catalão e profundamente espanhol Albéniz apaixonou-se pelo Sul, pela Andaluzia, mas, em vida, foi mais apreciado em França do que no país natal. Gabriel Fauré disse dele: «Não há nada mais que um Isaac Albéniz sobre a terra digno de ser Isaac Albéniz.» 
Esta interpretação de Sánchez é notabilíssima. Em baixo, um filme com Boris Berezovsky.



quarta-feira, 5 de março de 2014

#62 CRUCIFY - Tori Amos

De Little Earthquakes (1992). Bem construída e produzida, surpreendente em primeira audição, mantendo interesse nas posteriores, tem a intensidade e o estranhamento a que a letra obriga, sem forçar demasiado a nota, como por vezes lhe sucede. Em baixo, boa performance ao vivo, em 2002.




domingo, 2 de março de 2014

#61 HIGHWAY TO HELL - AC/DC

Tema inicial do álbum homónimo, de Young, Young & Scott. Simples, duro, directo e bom, dos riffs e do solo de Angus Young à voz de bagaço do bon do Scott, no seu último disco. Em baixo, em Paris, Dezembro de 1979.



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

#60 SOMETHIN' ELSE - Cannonball Adderley

Art Blakey
O tema é de Miles, que sola primeiro; segue-se Julian Cannonball, depois em diálogo, sempre sustentados impecavelmente pela secção rítmica, Jones, Jones & Blakey. O solo de Hank é exquisite; e é dos diabos o speed de Art Blakey nos pratos, pelo minuto 3'58"...


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

#59 POCO SOSTENUTO. VIVACE, da Sinfonia #7 de Beethoven, Zubin Metha


Parece-me claro ser a 7.ª, e não a 8.ª, que prefigura a 9.ª
Zubin Metha e a Orquestra Filarmónica de Israel.
(em tempo, 24/II: e continua a ouvir-se, directamente, a 6.ª na 7.ª, para além de tudo o resto, o antes e o depois, como é óbvio)

#58 BACK IN THE U.S.S.R. - The Beatles, Paul McCartney

Tema directo e inspirado a abrir um dos mais fantásticos discos dos Beatles, o so called duplo White Album, que tem tudo: do rock'n'roll ao experimentalismo. O grande McCartney, que compôs, canta, toca guitarra, o piano e uma parte da bateria... brinca  na Guerra Fria (estamos em 1968) e pisca os olhos à música americana (Chuck Berry, The Beach Boys, Hoagy Carmichael, está tudo aqui), enquanto clama pelas miúdas russas e ucranianas (outros tempos...). 
Em baixo, Macca em Moscovo, já neste século, Putin a assistir.





domingo, 16 de fevereiro de 2014

#57 TONGA DA MIRONGA DO KABULETÊ, Vinicius de Moraes & Toquinho

Álbum gravado ao vivo no "Trova", de Buenos Aires. Tonga da mironga do kabuletê, parece que não quer dizer nada, são vocábulos de origem africana que sugestionaram Vinicius pela sua musicalidade, sendo, também uma forma divertida de mandar os militares, que então governavam o Brasil, para as mães deles. O diálogo em baixo com Toquinho, num registo também efectuado na Argentina, indicia-o. É uma alegria de música, e a bateria de Enrique Rosner tem um beat que não nos dá sossego.
Depois, vídeo da RAI, canta-se em italiano.






sábado, 15 de fevereiro de 2014

#56 JAMES BOND THEME*, Monty Norman, Keith Lockhart

James Bond, os filmes, as músicas, trazem-me inúmeras recordações. Sou capaz de lembrar-me em que circunstâncias vi determinado filme, em que cinema e com quem. As músicas são esplêndidas ,na sua maioria, e têm o dedo de John Barry, na autoria ou na orquestração, como sucede com este tema de Monty Norman, do inicial «Dr. No», incrível de força e, ao mesmo tempo, subtileza. O vibrafone e os trombones em crescendo com a perturbante guitarra, até à explosão estrepitosa dos sopros com a bateria, para retomar o tema inicial e finalizar à Bond, James Bond...
Em baixo, a Orquestra da BBC, dirigida por Keith Lokhart, em 2011





domingo, 9 de fevereiro de 2014

#55 O QUE SERÁ (À FLOR DA PELE), Chico Buarque & Milton Nascimento

De Meus Caros Amigos (1976). Composto para o filme de Bruno Barreto, Dona Flor e Seus Dois Maridos. A película, nunca a vi; mas li o livro de Jorge Amado, de 1966, história pícara e fantástica que decorre na Bahia da década de 1940. Dona Flor é uma deliciosa e seriíssima mulher e esposa respeitada e respeitadora, com mão de musa para a culinária. Viúva do primeiro marido, Vadinho, um vadio safado, jogador e grande amante, que se finou num cortejo carnavalesco, consorcia-se em segundas núpcias com o Dr. Teodoro, farmacêutico austero, distinto e honrado, amador de música, executante compenetrado de fagote e incapaz de faltar ao respeito à sua Flor. Tudo se complica quando o fantasma de Vadinho começa a visitar Flor, que, muito mal tratadinha no leito do himeneu, no meio de grande luta consigo própria, vai cedendo às investidas do lúbrico espectro, e também vai gostando.
A letra de Chico Buarque é espantosa, traduzindo simultaneamente a saborosa malícia amadiana e a cor das vielas e dos botecos desse enorme painel que o escritor recriou. O dueto com Milton Nascimento é perfeito (ou não fossem, um e outro, autores do mais alto coturno.
Em baixo, filmagem da época na TV Bandeirantes.






sábado, 8 de fevereiro de 2014

#54 I HAD A FARM IN AFRICA - John Barry, Octavio J. Peidró

Não tenho grandes dúvidas de que Out Of Africa tem assegurado um destino equivalente ao de Casablanca. E se Bogart e Bergman contribuíram para isso decisivamente, o momento angular do filme é "As Time Goes By", entoada por um constrangido Dooley Wilson. O filme de Pollack tem outra parelha histórica (Streep e Redford) e também um conflito triangular. Mas a banda sonora de Barry -- um nome imprescindível da música incidental -- é poderosíssima e alimenta-lhe a mística pelos tempos afora (inesquecível a cena do voo, o enleamento de ambos, os planos de Pollack e os sons de "Flying Over Africa"...) Aqui é o tema de abertura, dirigindo o próprio compositor sobre uma orquestra não mencionada (!); em baixo a Orquestra Sinfónica do Teatro Castelar de Elda (Alicante), conduzida por Octavio J. Peidró.




#53 A HARD DAY'S NIGHT - The Beatles

Do álbum homónimo (1964, o meu ano). Sempre a abrir, dos acordes iniciais às teclas de George Martin. Ouçam Ringo, a quem se deve a originalidade do título (jornada de trabalho nocturna cansa...) -- ouçam a destreza daquele pulsar das baquetas... O tema é de Lennon, voz principal.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

#52 ALLEGRO CON BRIO, Beethoven, Sinfonia #3, Bernstein

foto: Jack Mitchell
O grande Bernstein sacrificando de novo ao Divino Beethoven, dirigindo a Filarmónica de Viena. Sinfonia #3, "Eroica", 1º andamento.



segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

domingo, 26 de janeiro de 2014

#50 INTRODUZIONE*, do Concerto para Orquestra de Bartók, Ion Marin

O Concerto para Orquestra (1943) é uma das minhas peças preferidas, de todos os tempos e em todos os géneros. Para além da intensa melancolia e da grande tensão que conjuga, como um estado de prostração com súbitos espasmos nervosos, nunca posso esquecer que Béla Bartók estava no seu exílio norte-americano, com a saúde em baixo (morreria não muito depois) e a Europa em guerra. Este primeiro andamento resume tudo isso

sábado, 25 de janeiro de 2014

#49 ABERTURA (GARE D'AUSTERLITZ), José Mário Branco

de Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades(1971). Valsinha triste com os sons da estação de comboios de Austerlitz, em Paris, cidade de emigrantes portugueses fugidos à pobreza do país, dos desertores da Guerra Colonial, dos exilados políticos perseguidos pelo Estado Novo. Também desertor e exilado político (fora preso pela PIDE em 1962, e preparavam-se para lhe dar o castigo de combater no conflito criminoso de Portugal em África, em entrevista a Adelino Gomes, nesse ano de 1971, dizia José Mário Branco: "Eu, como os 700 mil portugueses que estão aqui em França, nunca abandono a ideia de que Austerlitz se transforme um dia numa estação de regresso ao meu país" (livreto do CD, 1995)