Da peça de "A Barraca", Zé do Telhado. Grande álbum de José Afonso (Fura Fura, 1979), cuja primeira parte é composta por temas destinados àquele espectáculo de Hélder Costa. A fala inicial de Margarida Carpinteiro situa a acção no período da Maria da Fonte e da Patuleia, da guerra civil entre constitucionalistas moderados e radicais, aludindo ao exílio forçado do polémico ministro de D. Maria II, o controverso António Bernardo Costa Cabral. A música é de José Afonso e a letra popular. Artur Costa, João Gil e Luís Represas, dos Trovante, juntam-se a Júlio Pereira, Né Ladeiras e Carlos Salomé. Os arranjos são também dos Trovante. Carlos Salomé que vemos acompanhando, nas trancanholas, o seu irmão Vitorino e Luis Pastor, na TVG (Galiza).
Um blogue de música para mim e quem o quiser apanhar, a girar desde 1 de Dezembro de 2012.
segunda-feira, 12 de maio de 2014
#79 - O CABRAL FUGIU PARA ESPANHA, José Afonso / Vitorino & Luis Pastor
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sexta-feira, 9 de maio de 2014
# 78 - EI! WIE SCHEMKT DER COFFEE SÜßE (Bach), Christine Schäfer, Stuttgart Bach-Collegium / Helmuth Rilling, Robin Johannsen
Nem tudo é religião, em Bach, mas tudo pode ser divino -- inclusivamente as cantatas profanas, de que a bem humorada Cantata do Café é exemplo. Nesta ária, um pai preocupado assiste ao desvario com que a filha se deixa impregnar por esta excitante e viciante bebida, cada vez menos exótica no século XVIII.
A minha gravação é a de Helmuth Rilling com o Stuttgart Bach-Collegium, aqui com Christine Schafer. Em baixo, outra soprano: Robin Johannsen
sábado, 3 de maio de 2014
#77 - ATLANTA BLUES (MAKE ME A PALLET ON YOUR FLOOR), Louis Armstrong, Bria Skonberg
Versão de W. C. Handy de um standard de autoria desconhecida, remontando ao século XIX. Satchmo dialoga consigo mesmo, trompete e scat, todos solam. Arvell Shaw, no contrabaixo -- anota George Avakian no texto de contracapa --, brinca com Pops, que não era propriamente um fã de Charlie Parker, citando Ornithology...
Em baixo, a canadiana Bria Skonberg, excelente.
#76 - BERLIN, Barclay James Harvest
Tudo muito nos eixos, letra suficientemente imprecisa para não chocar os mais desafectos às questões políticas (a queda do Muro ainda vinha longe), a verdade é que gosto desta música muito melodiosa, cantada no tom certo por John Lees, e com uma sobriedade instrumental que funciona.
Em baixo, gravação feita em Bona, 2002, exemplo eloquente de como se pode estragar uma coisa boa, tornada enfadonha pelo próprio autor, Les Holroyd (e sem outro membro da formação original que gravou XII , em 1978).
sábado, 26 de abril de 2014
#75 - BLUES IN THE NIGHT (MY MAMMA DONE TOL' ME), Louis Armstrong & Oscar Peterson, Katie Melua
De Harold Arlen & Johnny Mercer, para o Great American Songbook. Grande versão de Armstrong, como de costume, acompanhado por um quarteto que lhe faz jus: Peterson (como ele pontua o canto de Satchmo, e o solo em trompete!), Herb Ellis (guitarra), Ray Brown (contrabaixo) e Louis Bellson (bateria).
Em baixo, a extraordinária Katie Melua, com a letra original (é um lamento feminino), em Basileia, em 2007.
sexta-feira, 25 de abril de 2014
#74 - BOMBONS DE TODOS OS DIAS, João Afonso
Um inédito primoroso de José Afonso. Não encontrei no YouTube, mas, em contrapartida, posto a primeira versão de um disco anterior, Outra Vida (2006). "Estão livres de perigo os homens fáceis"...
domingo, 20 de abril de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
#73 THE OLD COUNTRY, Nat Adderley, Sara Mitra
terça-feira, 1 de abril de 2014
#72 - LÁ NO XEPANGARA, João Afonso & João Lucas, José Afonso
A tragédia do colonialismo, segundo José Afonso. Tragédia em ritmo de trópico, como o sublinha o exuberante piano de João Lucas e as vocalizações de Afonso sobrinho.
Em baixo, o original afonsino de O Coro dos Tribunais (1975).
segunda-feira, 31 de março de 2014
#71 - GRANADA (de Albéniz), Aitana de Jong Mompó
Como se Boabdil, o último Abencerragem, aguardasse os exércitos dos Reis Católicos, antevendo o exílio no outro lado do Estreito.
(Ou então, e porque não?: uma ponte entre Chopin e Satie).
No Youtube não encontrei a gravação de Esteban Sánchez. Em baixo, um registo de Aitana de Jong Mompó.
domingo, 30 de março de 2014
quarta-feira, 26 de março de 2014
#69 WINTER, Tori Amos
Um tom quase elegíaco. T.A. contida, a orquestra, dirigida por Nick DeCaro, acentua o pathos, com a gravidade do inverno na alma.
Em baixo, em Montreux, em 1991 ou 92.
segunda-feira, 17 de março de 2014
#68 WALK ALL OVER YOU, AC/DC
O riff solitário, reconhecível à distância, à medida que entram baixo e segunda guitarra, postos em suspenso pela bateria. Abre-se um diálogo entre as guitarras dos irmãos Young, e surge Scott, avinhado e obsceno, a cantar como nunca mais. Pouco antes do fim, um solo memorável de Young, terminando tudo em Bon.
Em baixo, um descarado playback, que só aqui fica porque sim.
domingo, 16 de março de 2014
#67 CANTIGA DO MONTE
Um belíssimo poema de José Afonso, também autor da música (em Traz Outro Amigo Também, 1970), magnificados por João Afonso e João Lucas. A voz do sobrinho é mais grave que a do tio; o piano aquece-nos e afoga-nos. É sublime.
sábado, 15 de março de 2014
#66 ONE FOR DADDY-O, Cannonball Adderley, Royce Murray
A entrada inspiradíssima do piano de Hank Jones, trompete e sax alto a par até ao arranque a plenos pulmões de Julian Adderley; depois, Miles Davis, cheio de coolness; o balanço contínuo da secção rítmica. Terceiro solo, o piano a desenvolver o fraseado inicial. Imparáveis, novos solos de Julian, Miles e Hank, para terminar com os riffs com que os sopros abriram, Miles perguntando a Alfred Lion, o produtor: "Era isto que querias, Alfred?..." O tema é de Nat Adderley.
Em baixo, o quarteto de Royce Murray.
quarta-feira, 12 de março de 2014
#65 GIRL, Tori Amos
A Tori Amos canta(-se) muito bem. A produção, sua e de Eric Rosse é excelente: os samples de cordas (o final podia ser dum quarteto de Dvořák...), o tratamento das vozes...
domingo, 9 de março de 2014
#64 JÁ O TEMPO SE HABITUA - João Afonso & João Lucas, José Afonso
A interpretação de João Afonso, altíssima, ao nível da lírica de José Afonso, seu tio, uma angústia de inevitabilidade e solidão. João Lucas, a quem pertence o arranjo, exímio (o solo é maravilhoso), dá ossatura a este tema superlativo.
Em baixo, o original, de Cantos Velhos, Rumo Novo (1969).
#63 ASTURIAS (LEYENDA) (Albéniz) - Esteban Sánchez, Boris Berezovsky
Catalão e profundamente espanhol Albéniz apaixonou-se pelo Sul, pela Andaluzia, mas, em vida, foi mais apreciado em França do que no país natal. Gabriel Fauré disse dele: «Não há nada mais que um Isaac Albéniz sobre a terra digno de ser Isaac Albéniz.»
Esta interpretação de Sánchez é notabilíssima. Em baixo, um filme com Boris Berezovsky.
quarta-feira, 5 de março de 2014
#62 CRUCIFY - Tori Amos
De Little Earthquakes (1992). Bem construída e produzida, surpreendente em primeira audição, mantendo interesse nas posteriores, tem a intensidade e o estranhamento a que a letra obriga, sem forçar demasiado a nota, como por vezes lhe sucede. Em baixo, boa performance ao vivo, em 2002.
domingo, 2 de março de 2014
#61 HIGHWAY TO HELL - AC/DC
Tema inicial do álbum homónimo, de Young, Young & Scott. Simples, duro, directo e bom, dos riffs e do solo de Angus Young à voz de bagaço do bon do Scott, no seu último disco. Em baixo, em Paris, Dezembro de 1979.
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