É uma grande canção de amor -- e parece que escrita mesmo a pensar no Dylan, mas isso interessa-me pouco. Prefiro destacar a voz sem azedume de Joan Baez e o dedilhar da sua guitarra. Do álbum homónimo (1975), letra aqui. Em baixo, Baez com Judy Collins no Newport Folk Festival, 2009.
Faixa #4 de Little Earthquakes (1992). A letra interessa-me pouco, embora tenha o que se lhe diga. Gosto do tom intensamente dramático e perturbador da música, para o que muito contribui, mais do que o espasmo gutural de Tori, o martelar contínuo do seu piano, subjacente à bateria de Carlo Nuccio; intensidade que aumenta com a reafirmação da linha do baixo de Will McGregor. Por baixo, a sua interpretação exponencia essa intensidade (embora, confesso a minha fraqueza, uns olhos e uma gargantilha me distraiam do essencial), yeah...
Nos Aerosmith há do melhor e do pior. A mudança da CBS para a Geffen tornou-os mais globais e menos autênticos. Há excepções: esta «Rag Doll», em cima no álbum ao vivo A Little South Of Sanity (1998); em baixo, a versão original original de Permanent Vacation (1987). Deixemos o kitsch de lado e fixemo-nos no que é bom. Neste caso, a autenticidade das raízes, a slide guitar de Joe Perry, o canto de Steven Tyler, a terminar em scat, os metais, abafados no registo ao vivo, a mais-que-competência dos restantes músicos. Um hard rock americano, vindo dos blues, o melhor filão dos Aerosmith.
Uma versão do original de Pete St. John, que versa a Grande Fome irlandesa de 1845-49.
THE FIELDS OF ATHENRY
By a lonely prison wall I heard a young girl calling Micheal they are taking you away For you stole Trevelyn's corn So the young might see the morn. Now a prison ship lies waiting in the bay.
Low lie the Fields of Athenry Where once we watched the small free birds fly. Our love was on the wing we had dreams and songs to sing It's so lonely 'round the Fields of Athenry.
By a lonely prison wall I heard a young man calling Nothing matter Mary when your free, Against the Famine and the Crown I rebelled they ran me down Now you must raise our child with dignity.
Low lie the Fields of Athenry Where once we watched the small free birds fly. Our love was on the wing we had dreams and songs to sing It's so lonely 'round the Fields of Athenry.
By a lonely harbor wall She watched the last star falling As that prison ship sailed out against the sky Sure she'll wait and hope and pray For her love in Botany Bay It's so lonely 'round the Fields of Athenry.
Low lie the Fields of Athenry Where once we watched the small free birds fly. Our love was on the wing we had dreams and songs to sing It's so lonely 'round the Fields of Athenry.
Que o génio de José Afonso lhe sobrevive, não apenas pelo legado escrito e gravado, como pelas reinterpretações que a obra tem sido objecto, é um facto. Aqui, temos João Afonso, seu sobrinho, que, com personalidade própria, não se limita a ser um clone do tio, acompanhado magistralmente por João Lucas, como se pode comprovar ouvindo um e outro. Excepcionalmente, a música é de outrem, Luís Andrade e o poema, excelente, é do nosso grande trovador; mas o resultado final é tão sublime que dir-se-ia serem ambos do mesmo criador.
De Cole Porter (1930); em Somethin' Else, de Cannonball Adderley (1958).
Hank Jones sempre discreto, Art Blakey sincopado, mesmo com as vassouras, Miles Davis dá a frase, e o swing do contrabaixo de Sam Jones anuncia o formidável arranque de Julian C.A., que sola, ouvindo-se a ele e a Charlie Parker.
Em baixo, magnífica, Carmen McRae na televisão (1962).
Trovador excelentíssimo, nunca ultrapassado nem superado por outro cantor/autor da música popular urbana portuguesa.
A guitarra é a de Carlos Correia (Bóris).
José Afonso, «traz outro amigo também» (J. A.).
faixa #1 de Traz Outro Amigo Também (1970)
em baixo: Resistência, ao vivo no Coliseu:
Amigo Maior que o pensamento Por essa estrada amigo vem Por essa estrada amigo vem Não percas tempo que o vento É meu amigo também Não percas tempo que o vento É meu amigo também
Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também
Aqueles Aqueles que ficaram (Em toda a parte todo o mundo tem) Em sonhos me visitaram Traz outro amigo também
What a Wonderful World (Bob Thiele & George Weiss).
Faixa #1 do álbum What A wonderful World (1968)
Não é jazz, mas é Armstrong tentando dissipar a nuvens negras da Guerra do Vietname, com a Orquestra de Lawrence Welk.
(Ou)vi-a tocada e cantada por Lionel Hampton,, no Parque Palmela, em Cascais.
Em baixo com a formação dos últimos anos: Joe Muranyi (clarinete), Tyree Glenn (trombone), Marty Napoleon (piano), Buddy Catlett (contrabaixo) e Danny Barcelona (bateria).
Cannonball Adderley, «Autumn Leaves» (Joseph Kosma). Primeira faixa de Somethin' Else (1958).
Julian C.A., sax alto; Miles Davis, trompete; Hank Jones, piano; Sam Jones, contrabaixo; Art Blakey, bateria.
Quinteto superlativo, a forma como a secção rítmica inicia, com os sopros sotto voce -- diria eu, ou não, se soubesse alguma coisa de música -- agarram-me logo. Depois, o diálogo Miles / Julian, mantêm-me sempre numa expectativa interessada; ao mesmo tempo, o beat constante mas nunca monótono de Blakey e Jones (Sam). O final de Hank Jones, piano que não quer sair, empurrado suavemente pelos sopros. Maravilhoso.
Em baixo, Yves Montand em 1951, na versão original, «Les Feuilles Mortes», com letra de Jacques Prévert.
As the pressure grows and these feelings flow Trample on bodies, bodies in holes of faith Times I've asked the lord for forgiveness While kept under a spell of a sweating locust's breath No need to tell me 'cause it's written on your face Sliding down now with the black lights shining
I don't care where you go you won't get away from me Black as the night is day filled with no sympathy Marching down the hall for a misery I don't care where you go, you won't get away from me
Mouth tastes of sick, stomach twist inside Everything's wrong and I can't get away The gravity of fear you can feel it coming near It's coming straight for you, it'll twist and drag you down
I don't care where you go, you won't get away from me